Cientistas descobriram como curar feridas sem deixar cicatrizes!

Uma cesariana, uma queda feia enquanto jogava bola na rua, um joelho ralado em um acidente de moto. Todas essas situações podem deixar belas ou nem tão belas  cicatrizes na nossa pele. E uma vez que elas estão lá, não tem muito a ser feito para removê-las, infelizmente… Mas cientistas da University of California descobriram uma maneira de impedir com que elas apareçam, mesmo após uma ferida na “carne viva”, algo que todos acreditavam ser impossível em mamíferos.

Para entender como isso é possível, é preciso primeiro entender o que é uma cicatriz. Você já deve ter percebido que uma cicatriz é completamente diferente da pele normal, não é mesmo? Tanto em textura, cor, quanto a nível microscópico. O que faz uma cicatriz ser tão diferente é que elas não são feitas das mesmas células da nossa pele, composta principalmente pelas células epiteliais, melanócitos, células dos folículos pilosos – que dão origem a pelos – e adipócitos – que armazenam gordura. Na verdade, as cicatrizes são resultado do processo de regeneração dos tecidos, em que as células são completamente substituídas por fibroblastos, células fibrosas que têm basicamente a função de preencher espaço e substituir o tecido danificado.  As cicatrizes não contêm folículos pilosos, nem adipócitos. Isso também é observado no envelhecimento, em que lentamente a nossa pele além do colágeno, vai perdendo também os adipócitos e, consequentemente, vai ficando mais seca e enrugada.

Pensando nisso, os cientistas imaginaram que se fosse possível substituir esses fibroblastos das cicatrizes por adipócitos, talvez  a pele voltasse a seu aspecto normal. Ao longo de anos de pesquisa, foi observado que nos processos de regeneração de feridas, as células dos folículos pilosos estimulavam os fibroblastos a se tornarem adipócitos. Portanto, se esses folículos pilosos estivessem presentes em uma ferida em cicatrização, talvez pudéssemos evitar a formação de tecido fibroso e estimular a geração de uma pele completamente nova, rica em “células de gordura”. E foi isso que os pesquisadores conseguiram em laboratório!  “Os nossos achados mostram que temos uma janela de oportunidades depois da ferida para influenciar o tecido a se recuperar em vez de cicatrizar”, disse Maksim Plikus, em entrevista à revista Science, onde a descoberta foi publicada.

A base para a descoberta está em uma substância produzida pelas células dos folículos pilosos, o BMP. Em condições normais, o BMP estimula os fibroblastos a se tornarem adipócitos. Como em uma cicatriz não há folículos pilosos, não há formação de adipócitos e consequentemente a pele se torna fibrosa. Portanto, se a produção de BMP for induzida em uma ferida em recuperação (por um creme contendo BMP ou por ativação de genes que levem à sua produção), será possível impedir que uma cicatriz seja formada. Assim, você teria uma pele completamente nova no lugar da ferida.

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Antes, acreditava-se que era impossível fazer com que os fibroblastos se tornassem outra célula, mas o trabalho desses autores demonstrou essa habilidade, até então, exclusiva de anfíbios e peixes. Toda a informação genética das células está lá, guardada no DNA, basta estimular os genes certos. Essa técnica de induzir uma célula a se tornar outra foi bem explorada no nosso vídeo sobre células tronco, se você quiser saber mais.

É claro que ainda não existe um creme para ser passado em uma ferida para evitar cicatrizes, mas vocês conseguem imaginar o quanto isso seria revolucionário?

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Imagem da capa: Designed by Shayne_ch13 / Freepik


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