De onde veio a nossa Lua?

lua-menino-cachorro-davidburkQuando eu era mais novo, costumava olhar para a Lua a olho nu e mal sabia que o astro era coberto de crateras. Um pouco mais velho, aos 13 anos, ganhei um binóculo de brinquedo, em que pude enxergar com um pouco mais de clareza a vida alheia a beleza e grandiosidade do nosso satélite, que se encontra a aproximadamente 385.000km de distância. Foi só quando comprei uma câmera com lentes que aproximam até 50x que pude desfrutar das curiosas crateras que são como cicatrizes na superfície da Lua. Tais crateras são formadas pelo impacto de grandes pedaços de rocha que se chocam contra sua superfície. Mas desde a época em que observava e tentava entender o que era, de fato, a Lua, é que me pergunto: de onde ela veio?

A teoria mais aceita atualmente é de que há bilhões de anos, quando a Terra ainda era um planeta em formação chamada de Proto-Terra, um objeto do tamanho de Marte se chocou com a Terra primitiva. O impacto foi assustadoramente massivo: rachou uma parte do nosso planeta, que foi impulsionada para fora dos limites da atmosfera na forma de pequenas rochas, que nos orbitaram por milênios. Até que por ação da força da gravidade, esses pequenos pedaços foram se chocando e formando pedaços cada vez maiores. Após algumas centenas de milhares de anos, esses pedaços formaram o que os astrônomos e geólogos chamam de Moonlets ou mini luas. Essa mini lua já tinha uma força gravitacional considerável e foi atraindo cada vez mais pedaços de rocha até formar a Lua que conhecemos hoje.

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No entanto, um grupo de pesquisa do Weizmann Institute of Science em Israel, realizou uma série de simulações que pode mudar essa teoria. Os resultados foram publicados na revista Nature Geoscience. Segundo os físicos responsáveis, a teoria de que a Terra teria sido atingida por um único mega-asteróide ou planeta depende que ela tenha sofrido essa colisão em situações muito improváveis. Por exemplo, a inclinação do objeto no momento do impacto teria de ser específica, o tamanho massivo do objeto seria improvável, já que o Sistema Solar ainda não teria tido tempo para formá-lo. Além disso, o fato de que para essa teoria ser sustentada, a Lua deveria carregar em sua composição elementos químicos semelhantes aos do objeto que atingiu a Terra. Porém, a Lua é formada basicamente pelos mesmos materiais que a crosta terrestre, ou seja, uma alternativa para “salvar” a teoria é de que esse único objeto que teria atingido a Terra há bilhões de anos fosse da mesma composição do nosso jovem planeta, o que também é improvável.

Os cientistas propõem que a Lua teria sido formada a partir da colisão de vários objetos ao longo de vários milhões de anos. Assim, diferente da teoria do único impacto, pequenas quantidades de rocha seriam ejetadas da Terra ao longo de vários anos, repetidas vezes. Portanto, a Terra teria, em algum momento de sua história, várias pequenas luas e vários anéis, como acontece com Júpiter ou Saturno. Essas várias luas iriam lentamente se afastando da Terra e se chocando umas com as outras até formarem a Lua que conhecemos e estabilizarem sua órbita. A composição desses pequenos objetos – mas nem tão pequenos assim – teria sido “mascarada” pela quantidade de impactos: impactos de objetos menores com maior velocidade ejetam bem mais material do planeta além da atmosfera: isso explicaria porque a Lua é tão semelhante à Terra em sua composição química. Assista a essa simulação feita pelo grupo de pesquisa para entender melhor.

Muita gente pode se perguntar o porquê de se estudar uma coisa dessas. Por que fazer pesquisa básica? Assim como já falamos em vídeo, eu respondo novamente por aqui. Além de ser extremamente interessante saber como se formou o nosso único e belo satélite, estudar a formação da Lua é útil para aprendermos mais sobre o nosso próprio planeta. Hoje, a superfície da Lua representa como era a superfície da Terra há bilhões de anos, pois ela provavelmente é composta de material ejetado do nosso planeta naquela época. Este material está escondido em camadas de sedimento na nossa crosta e é pouco acessível daqui. Adicionalmente, estudar a formação da Lua pode indicar quais elementos químicos estão presentes nas rochas de lá e quais deles podem ser úteis ao homem, sem precisarmos de uma outra missão Apolo. Como a Lua não tem atmosfera, ela sofre efeito de bastante radiação cósmica, o que altera significativamente a natureza química das rochas, podendo produzir elementos novos e indicar o que aconteceria a uma nave espacial viajando durante vários anos por trilhões de quilômetros. Recentemente, a gente fez um vídeo sobre César Lattes, um importante cientista brasileiro que estudava os tais raios cósmicos e acabou descobrindo uma partícula subatômica. Então, quem somos nós para dizer que estudar a formação da Lua ou algo que parece, à princípio, sem muita utilidade é perda de tempo?

Quer saber mais sobre as últimas novidades do mundo científico? Lá no canal do Olá Ciência, a gente tem um quadro chamado Ciência em Tempo Real, que só traz atualidades importantes da ciência! Um grande abraço, valeu!


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