Radiação que não acaba mais

A radiação dentro de um dos reatores da Usina Nuclear Fukushima Daiichi chegou a níveis inimagináveis nas últimas semanas. É isso que o jornal britânico The Guardian nos conta, assim como outras várias fontes que citarei ao longo deste texto.

Os índices de radiação são, definitivamente, os mais altos desde o tsunami de 2011 que atingiu a costa leste do Japão. A maior leitura de radiação na região foi de 73 sieverts por hora até algumas semanas atrás, quando especialistas fizeram uma leitura, através de imagens capturadas por um robô, de 530 sieverts por hora. Para você ter uma ideia, 1 sievert por hora é suficiente para causar infertilidade, queda de cabelo e náusea em uma pessoa. O que está causando esses altíssimos níveis de radiação ainda não foi descoberto pelos cientistas. A boa notícia, porém, é que a TEPCO, Companhia de Energia Elétrica de Tóquio, afirma que toda essa radiação está muito bem contida e não há riscos para a população em geral.

Essas novas leituras de radiação estão colocando em risco os planos da TEPCO de desativar a usina, desmontar suas estruturas e transformar a região em um local seguro novamente. Até o momento, o objetivo era a partir de 2021 levar trabalhadores para dentro da usina para iniciar buscas pelas células nucleares de combustível e começar a desmontá-las a fim de liberar os arredores da usina para a população em geral. Todo esse processo de buscas e desmanche tem previsão de durar até 50 anos. Mas os níveis atuais de radiação não são nem um pouco promissores em relação à entrada de humanos na região do reator.

A câmera utilizada para fotografar o reator não é capaz de aguentar mais de 1000 sieverts por hora, isto é, a câmera não pode ficar mais de duas horas dentro da região do reator de acordo com as novas leituras. Entretanto, as poucas imagens que ela fez já são suficientes para darem esperança para os especialistas japoneses. Uma imagem mostra um buraco de mais de 1 metro em que, provavelmente, os bastões de combustível nuclear derreteram, caíram na grade de metal e passaram direto por ali. É a primeira vez que eles têm algum indício do paradeiro do combustível nuclear. Há algum tempo eles tentaram levar um robô mergulhador para localizar esse combustível, mas perderam o robô porque os fios de conexão não aguentaram a radiação do ambiente.

Imagem da câmera que chegou bem próximo a um dos reatores. É possível ver um grande buraco na grade.
Imagem da câmera que chegou bem próximo a um dos reatores. É possível ver um grande buraco na grade.

O objetivo agora é descobrir as razões para níveis de radiação tão altos e, explorar cada vez mais a região dos reatores a fim de entender um pouco mais sobre os novos desafios que a TEPCO enfrentará para, futuramente, recolher todo o material radioativo e guardá-lo em um local seguro. E, enquanto isso, nós torcemos para que isso se resolva sem mais problemas do que os que já temos que enfrentar.

Nessa imagem podemos entender um pouco melhor a posição da câmera em relação ao reator. O combustível nuclear derreteu dentro do vaso de pressão lá em cima devido às altíssimas temperaturas, escorreu sobre as grades de metal e atingiram a água que é utilizada pra resfriar todo o local.

Imagem de capa: oilprice.com

 


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