Um hambúrguer de carne. Nenhuma operação policial e nenhum animal morto.

Qual o impacto da carne produzida em laboratório em meio a crise alimentícia mundial? Não é de hoje que se tenta encontrar uma solução para a crescente falta de comida no mundo. Somado a esse fato, cada vez mais, pessoas têm se tornado adeptas do vegetarianismo, abandonando por completo o consumo de carnes. Crenças, saúde, protestos contra abusos aos animais e a mais recente onda migratória causada pela operação Carne Fraca da Polícia Federal têm sido os principais motivos.

Uma das tecnologias mais inovadoras e incríveis que se tem notícia é a possibilidade de criar comida em laboratório. Em 2013, foi anunciado o primeiro hambúrguer de carne bovina produzido exclusivamente com o uso de células tronco que ao serem colocadas em condições específicas, geram uma carne semelhante à advinda do animal. Em menos de 5 anos, o custo operacional por unidade passou de 2 milhões de dólares para “apenas” 40 dólares. Pode ser que em alguns anos tenhamos fast-food com carne 100% sintética.

Recentemente, uma outra empresa chamada Memphis Meat anunciou ter produzido pela primeira vez, um bife inteiro de frango sem ter nenhum frango morto. O processo é semelhante. Células tronco são retiradas dos animais e estimuladas a se diferenciarem em tecido muscular em um ambiente específico de nutrientes e condições de temperatura e pressão. Já falamos sobre como as células tronco podem ser induzidas a se tornarem diversos tecidos em um vídeo do canal Olá Ciência. Como resultado dessa diferenciação, tem-se um belo pedaço de carne que, na opinião dos degustadores era “pretty much like chicken”, ou seja, “basicamente frango”. A empresa já está no mercado há alguns anos e também desenvolveu uma almôndega 100% sintética. No final do texto, deixamos alguns vídeos divulgados pela empresa.

Tal tendência abre espaço para diversas discussões que quero abrir em vídeo para o canal. Mas já adiantando: Vai ter o grupo de pessoas a favor e aqueles contra, dizendo que isso é brincar de Deus. Vamos ver vegetarianos que comeriam carne sintética, como também aqueles que não seriam adeptos por já terem se acostumado com a dieta restritiva. Existe também a discussão de como seria o controle de qualidade desses laboratórios. Como garantir que o produto final é mesmo carne e não um emaranhado de células com sabor de carne. O que, de fato, é carne?

Um fato é. A biotecnologia tem ganhado espaço e estamos caminhando rapidamente para um mundo com soluções inovadoras, em que as ideias que pareciam absurdas há apenas alguns anos já são nada mais nada menos do que cotidiano.

O impacto dessa operação da polícia federal vai muito além da nossa preocupação quanto à qualidade da carne que compramos no supermercado. O Brasil é um dos maiores exportadores de carne do mundo, o impacto econômico das informações que são divulgadas pela mídia já fez vários países suspenderem os contratos de importações de carne brasileira.

O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse, em entrevista coletiva há alguns dias, números reflexos da operação carne fraca. A média de embarque diário de exportação de carnes era de 63 milhões de dólares. No dia 21 de março, o embarque diário foi de 74 mil dólares.

Alguns frigoríficos já fecharam as portas e demitiram funcionários. E não precisa de mais de 5 minutos de pesquisa na internet para perceber que essa operação da PF está mexendo muito com todo o Brasil.

O mercado internacional ainda vai demorar para recuperar toda a confiança no nosso setor agropecuário. Mas, precisamos ter consciência que, apesar de fortes indícios de corrupção em algumas fábricas frigoríficas brasileiras, a fiscalização continua sendo feita e, inclusive, feita nos países que importam nossas carnes. Portanto, não há motivo para pânico. A Polícia Federal precisa continuar as investigações, mas a nossa pecuária também precisa continuar produzindo e sendo fiscalizada de maneira correta.

Nós, como consumidores dessas grandes indústrias da carne, devemos fazer nossa parte que é pedir retratação e pressionar por demonstração de qualidade. Mas entrar na onda da desinformação não pode ser uma das nossas opções.

Imagem da capa: BBC News
Autores: Guilherme Ximenes e Lucas Zanandrez


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