Vacinas são para o seu bem

Ultimamente, muitas pessoas têm questionado o mundo com base em informações diversas. Acreditamos que o questionamento é o caminho para o desenvolvimento do mundo, porém, o questionamento sem discernimento e sem a busca pela verdade através de fatos, não faz sentido. E, infelizmente, estamos vivendo esse momento de questionamentos sem a busca pela verdade. Uma pessoa ouve falar de alguma coisa e já toma aquilo como verdade com base em emoções e opiniões pessoais. A ciência não é assim.

Para garantirmos a saúde da maior parte da população mundial, cientistas, médicos e pesquisadores ao redor de todo o mundo trabalham arduamente em busca de vacinas, remédios e tratamentos para garantir que o ser humano não seja dizimado por epidemias e doenças das mais variadas. Quando o assunto é vacinação, a reflexão vai um pouco além da proteção dos indivíduos vacinados. Sim, se você tomou uma vacina isso não é importante só para você, mas para todo mundo que vive ao seu redor.

Ao final deste texto, anexamos um vídeo que explica muito bem o conceito de imunidade coletiva que é, basicamente esta ideia:
As pessoas que estão vacinadas não estão apenas se protegendo, mas ao impedir a disseminação da doença, dentro da comunidade, estão, indiretamente, protegendo as pessoas dessa comunidade que não estão vacinadas. Elas criam uma espécie de escudo protetor que as protegem de entrarem em contato com a doença, assim elas estão protegidas. Esta proteção indireta, que as pessoas não vacinadas dentro da comunidade recebem simplesmente por estar cercadas por pessoas vacinadas,se chama imunidade coletiva.
Então, a perpetuação de teorias da conspiração dizendo que vacinas não servem pra nada (ou servem para o mal), vai colocar em risco não só essas pessoas que tomam essa decisão. Em um mundo que pessoas viajam pra diversos países a todo momento, essas pequenas decisões podem afetar a saúde pública de todo o nosso planeta.

Vacinas não são inventadas no quintal de casa, vacinas não são tiradas das cabeças de médicos que são controlados pela indústria farmacêutica. Vacinas são resultados de pesquisas feitas no mundo inteiro, que duram anos e mais anos para confirmar eficiência e eficácia – já fizemos um vídeo no canal sobre pesquisa clínica, ele tá anexado no final deste texto. Existem falhas? Claro que existem. Mas o processo científico garante o mínimo de falhas possível, se não fosse a ciência e todo o seu processo científico lento, nós não estaríamos onde estamos hoje. Então, para você que questiona se faz sentido tomar essa ou aquela vacina, lembre-se de que a ciência garante a sua imunidade porque tantas outras pessoas que vivem ao seu redor tomaram todas as vacinas que você escolheu não tomar.

Abaixo uma reportagem do Estadão sobre esse assunto.

Grupos contrários à vacinação avançam no País e preocupam Ministério da Saúde

Movimento, disseminado principalmente nas redes, é apontado como causa de surto de sarampo na Europa

Embora o Brasil tenha um dos mais reconhecidos programas públicos de vacinação do mundo, com os principais imunizantes disponíveis a todos gratuitamente, vêm ganhando força no País grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios. Esses movimentos estão sendo apontados como um dos principais fatores responsáveis por um recente surto de sarampo na Europa, onde mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas. No Brasil, os grupos são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas.

O avanço desses movimentos já preocupa o Ministério da Saúde, que observa queda no índice de cobertura de alguns imunizantes oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, por exemplo, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve adesão de apenas 76,7% do público-alvo.

“Isso preocupa e causa um alerta para nós porque são doenças imunopreveníveis, que podem voltar a circular se a cobertura vacinal cair, principalmente em um contexto em que temos muitos deslocamentos entre diferentes países”, diz João Paulo Toledo, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, que ressalta que todas as vacinas oferecidas no País são seguras.

A disseminação de informações contra as vacinas ocorre principalmente em grupos de pais nas redes sociais. O Estado encontrou no Facebook cinco deles, reunindo mais de 13,2 mil pessoas. Nesses espaços, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países e em inglês, sobre as supostas reações às vacinas – por exemplo, relacionando-as ao autismo.

Os pais também trocam informações para não serem denunciados, como não informar aos pediatras sobre a decisão de não vacinar os filhos, e estratégias que eles acreditam que garantiram imunização das crianças de forma alternativa, com óleos, homeopatia e alimentos.

Exemplos. A doula Gerusa Werner Monzo, de 33 anos, participa de um desses grupos. Ela afirma que há anos começou a ler sobre as vacinas e, por isso, sempre foi contrária a imunizar os filhos, hoje com 6 e 9 anos. “Tomaram as que são dadas nos primeiros meses de vida porque fui obrigada, mas não foram todas. O caçula, por exemplo, não tomou reforços da tríplice viral e a da poliomielite”, disse. Gerusa diz ser contra vacinar seus filhos por achar a imunização desnecessária em crianças saudáveis e por medo de possíveis reações.

“Meus meninos nunca tomaram vacinas como a da gripe ou febre amarela, mas são mais saudáveis que muitas crianças porque têm boa alimentação, fazem tratamento com homeopatia. As vacinas atrapalham essa imunização natural que desenvolveram.”

Ela conta, no entanto, que os dois já tiveram catapora – doença que pode ser evitada com a vacina tetra viral.

A designer Fátima (nome fictício), de 39 anos, é mãe de um menino de 3 anos que só foi vacinado, pelo calendário oficial, até os 15 meses. Ela pediu para não ser identificada, por medo de ser denunciada e porque o pai do menino não sabe que o filho não tomou todas as vacinas.

“Quando ele tinha quatro meses, tomou as vacinas tetravalente e rotavírus e dias depois seu comportamento mudou, ficou agitado, não conseguia comer, teve alergia por todo o corpo. Na época, eu não entendia o que tinha acontecido, mas, depois de conhecer os grupos que falam sobre as verdadeiras reações das vacinas, tenho certeza de que foi uma consequência delas.”

Foi depois de entrar nos grupos que ela decidiu não dar as vacinas seguintes no menino, mesmo sem ter o apoio de familiares e do pediatra. “Não comento com ninguém sobre isso, nem com o meu marido, só a minha mãe sabe que eu parei de dar as vacinas. Não vou dizer nada para o médico nem na escola para evitar qualquer problema. Essa é uma decisão minha e sei que estou cuidando bem do meu filho de outra forma, com uma alimentação saudável e tratamento homeopático”, disse.

Risco. Especialistas ressaltam que a decisão de Fátima, Gerusa e de outros pais contrários à vacinação não traz consequências apenas individuais: a queda na cobertura vacinal pode causar problemas de saúde pública. “Imagine se 5% da população deixar de tomar a vacina a cada ano. Isso forma um nicho de pessoas suscetíveis a doenças que, caso contaminadas, podem infectar mais gente”, alerta Guido Carlos Levi, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Um vídeo do nosso canal falando sobre como é feita uma pesquisa clínica. O caminho percorrido para lançar um novo medicamento é longo, trabalhoso e necessário para garantir a eficiência e eficácia daquele remédio. Esse vídeo pode te ajudar a entender o quão importante é o processo científico na nossa sua saúde.

Uma palestra sobre a importância da imunidade coletiva para a saúde de toda a população de uma comunidade, ou do mundo.

 


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