O que mudou em Brumadinho 1 ano depois do rompimento da barragem?

No dia 25/01/2019, às 12:28, a barragem B1 da Vale se rompeu. Uma onda de 12 milhões de metros cúbicos de lama destruiu e enterrou basicamente tudo que encontrou no seu caminho até alcançar o leito do rio Paraopeba a 10 quilômetros de distância. Prédios administrativo, de refeitório e de operações da Vale, fauna e flora silvestres de mata atlântica nativa, um pontilhão de trem, plantações, casas e parte de um bairro inteiro, um trecho de uma estrada principal entre o centro de Brumadinho e bairros afastados e o assoreamento do rio Paraopeba com a consequente perda de biodiversidade. Além, é claro, da morte de quase 300 pessoas (259 mortes e 11 ainda desaparecidos) soterradas pela lama de rejeitos.

Hoje, pouco mais de 1 ano depois, a região atingida encontra-se em uma lenta recuperação. Boa parte dessa lentidão é devido à necessidade de cautela na busca por corpos que ainda estão desaparecidos. Nos últimos 367 dias o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais trabalhou sem trégua, até mesmo no Natal eles continuaram o trabalho de busca por corpos ou fragmentos. Então, ao observar a região atingida, ainda é possível observar a dimensão colossal dessa tragédia. Máquinas pesadas trabalham dia e noite para retirar a terra e peneirá-la a fim de manter a busca pelos desaparecidos, sem data para acabar. Mas para além da aparência, o que, de fato, mudou?

Com certeza, o maior dos impactos foi o humano e social, já que boa parte da população ainda vive tentando se recuperar psicologicamente dos impactos diretos e indiretos desse que é o maior crime ambiental da história do nosso país, causado pela ganância da mineração, neste caso, da mineradora Vale. Porém, em toda tragédia, desastre ou erro humano, criminoso ou não, há de se aprender alguma coisa. A Agência Nacional de Mineração afirma que houve intensificação na fiscalização, apesar de ainda buscar estruturação para melhorar os serviços. O que nos deixa apreensivos quanto a situação, por exemplo, de outras 7 barragens que a própria Vale considerava, em relatórios internos, mais críticas que a de Brumadinho, na sua lista intitulada “top 10”.

Na região de Brumadinho ainda há um número considerável de barragens de rejeitos de mineração e, a título de exemplo, a estrada entre a BR-040 e o centro de Brumadinho, agora, após a tragédia na região, possui diversas placas de sinalização indicando rotas de fuga. No meu caminho até a região atingida para gravar as imagens do vídeo acima, me deparei com várias dessas placas de sinalização, porém, não há nenhuma instrução muito clara quanto à localização exata da onda de lama num eventual rompimento.

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Placas de sinalização com avisos relacionados a rompimentos de barragens na estrada entre Piedade do Paraopeba e Brumadinho
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Placa de sinalização com alerta no caso de rompimento de barragens na estrada entre Piedade do Paraopeba e Brumadinho

Portanto, num eventual rompimento, é preciso “ter a sorte” de estar próximo a uma placa para saber o que fazer. É claro que isso é melhor do que não ter nenhuma sinalização, porém, a meu ver, ainda distante do ideal já que as pessoas que trafegam pela região não sabem exatamente o risco que estão correndo. Minha sugestão seria de placas grandes indicando que aquele trecho da estrada está no caminho de uma eventual onda de lama, por exemplo:

“Atenção motorista!

Nos próximos 500 metros, região de risco de passagem de lama em um eventual rompimento de barragem de mineração na região. Mantenha os vidros abertos, ouvidos e olhos atentos.”

Claro, isso poderia criar um certo pânico para alguém que passa ali de vez em quando, entretanto, manter a atenção nos arredores enquanto dirige por uma região de risco com certeza é capaz de evitar mortes no caso de uma enxurrada de lama se aproximando. Até mesmo porque, quando a lama se aproxima ela causa um barulho muito alto capaz de ser ouvido a dezenas de metros de distância, conforme relato de sobreviventes que eu mesmo conversei no dia do rompimento em 2019, que pode ser conferido nos vídeos abaixo.

Dessa forma, me resta a dúvida de quanto realmente aprendemos com essa tragédia e a única certeza que posso tirar disso tudo é que a natureza é implacável e o ser humano ainda precisa entender que a sua postura em relação ao planeta Terra precisa ser, acima de tudo, de humildade.


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