O Carnaval pode ter espalhado o Coronavírus para o Brasil: e isso tem tudo a ver com a biologia do vírus

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Sabe-se muito pouco sobre os métodos de transmissão do Coronavírus. O que já se sabe é que ele é um vírus com letalidade baixa, mas que se espalha com muita facilidade. E é por isso que ele já causou mais casos e mais mortes do que os outros vírus da família, como o SARS e o MERS.

A própria OMS já informou que estamos perdendo a janela de oportunidade para conter o novo surto do COVID-19, nome dado ao novo Coronavírus.

Apesar da possibilidade de pandemia, no Brasil, assim como em alguns lugares do mundo, os meses de fevereiro e março são dedicados ao Carnaval, festa que reúne milhões de foliões pelas ruas das cidades em busca de farra, cerveja gelada e uma boa dose de música e cultura. A cidade de Veneza cancelou o Carnaval devido a um surto que está ocorrendo na Itália, com mais de 250 casos confirmados. Enquanto isso, o Brasil arde em festa, com mais de 50 milhões de pessoas nas ruas, confinadas em um pequeno espaço, correndo o risco de se infectarem pelo vírus.

Centenas de estrangeiros vêm passar o Carnaval no país e mesmo com as medidas protetivas realizadas em Portos e Aeroportos, existe um fato recentemente descoberto que pode colocar em cheque essas estratégias de contenção: o Coronavírus pode ser transmitido sem que a pessoa apresente sintomas.

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Cientistas chineses confirmaram em um estudo um caso de transmissão assintomática do novo coronavírus: uma mulher de 20 anos de Wuhan, passou o vírus para cinco dos membros de sua família, mas nunca ficou fisicamente doente, um fato que pode tornar o combate ao surto ainda mais desafiador.

Mas como isso é possível?

Outros trabalhos na área de virologia auxiliaram no entendimento desse aspecto particular do Coronavírus, em comparação com outros vírus da família. O vírus SARS, que se espalhou pelo mundo em 2003, replicava-se no trato respiratório inferior, ou seja, nas células mais profundas em brônquios e alvéolos, causando pneumonia. Isso fazia com que as pessoas só transmitissem o vírus quando já estivessem apresentando os sintomas, pois o trato respiratório superior (narinas, faringe, traqueia superior) não apresentava grande quantidade de partículas virais no início da infecção. O novo vírus que causa a doença do Covid-19 parece fazer diferente: embora também possa eventualmente levar à pneumonia, o vírus faz um ótimo trabalho de replicação no trato respiratório superior, mesmo quando as pessoas não apresentam sintomas ou quando estão no início da infecção.

Um artigo publicado no New England Journal of Medicine monitorou a quantidade de vírus encontrada nas vias respiratórias superiores – narizes e gargantas – de 18 pacientes confirmados como vírus em Guangdong, China. Um dos 18 nunca teve nenhum sintoma.

A grande descoberta? A maneira como as pessoas transmitem esse vírus, potencialmente expondo outros, se parece muito mais com a gripe do que a primeira SARS, o que pode ajudar a explicar por que o Covid-19 parece ser mais infeccioso. Você pode ver por que, neste gráfico do estudo, focado nos pacientes que apresentaram sintomas: Assim que começavam a se sentir doentes, eles tinham as maiores concentrações de vírus em suas narinas e essa concentração ia diminuindo à medida em que a infecção avançava.

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Portanto, o Coronavírus é um expert em ser transmitido!

Além disso, a pessoa que era assintomática carregava uma quantidade semelhante de vírus que os pacientes sintomáticos, o que sugere o potencial de transmissão de pacientes assintomáticos ou minimamente sintomáticos”, escreveram os pesquisadores.

Em outro artigo publicado recentemente no New England Journal of Medicine, pesquisadores na Alemanha também foram capazes de isolar o vírus do trato respiratório superior dos pacientes antes mesmo de apresentarem sintomas ou serem muito levemente sintomáticos – o que produziu mais evidências do potencial de disseminação do vírus a partir do nariz ou garganta quando as pessoas mal sabem que estão doentes.

Então, o que isso implica na contagiosidade do Covid-19 e na interrupção do surto? “Para um vírus intimamente relacionado à SARS, ele mostra uma transmissão pessoa a pessoa muito eficaz, algo que ninguém realmente esperava”, disse Stephen Morse, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Columbia. Atualmente, os pesquisadores acreditam que uma pessoa infectada geralmente infecta de duas a mais de três, o que tornaria o novo coronavírus mais contagioso do que a gripe sazonal, SARS e MERS.

Pergunta-se então: Qual o verdadeiro impacto que o Carnaval, uma festa de rua, com concentração de pessoas assintomáticas, entrada de estrangeiros carreadores que não são identificados pelas metodologias tradicionais de triagem nos aeroportos e um vírus altamente contagioso podem ter para o país? Além disso, as pessoas se beijam constantemente, trocando toda a microbiota da boca e trato respiratório superior entre si.

A Itália já vivencia a paralisação da economia nacional. Anotem: será uma greve dos caminhoneiros de meses em nosso país. A tão sonhada recuperação econômica será afetada por um organismo que nem mesmo é vivo.

Foto de capa: France 24


Um comentário sobre “O Carnaval pode ter espalhado o Coronavírus para o Brasil: e isso tem tudo a ver com a biologia do vírus

  1. A única colocação do texto que discordo veemente, é a de que os vírus não estão vivos.
    Já há estudos que evidenciam que eles são seres vivos.

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