Uma solução para a crise: Você está preparado(a)?

O que você diria que se eu te dissesse que crises econômicas, como a gerada pela pandemia de coronavírus, sempre acontecem, a cada 50 anos?

Em 1922, o economista russo Nicolai Kondratieff publicou um trabalho que alterou o pensamento da sociedade da época sobre ciclos econômicos.

Ciclos econômicos são períodos mapeados da história que se iniciam com um grande crescimento econômico, seguido de estagnação, uma forte recessão e finalmente recuperação.

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O que Kondratievff descobriu era que esses ciclos eram bem mais longos do que se imaginava, na verdade, durando aproximadamente 50 a 60 anos.

Tá, mas o que isso tem a ver com o tema do canal e, principalmente, o que isso tem a ver com a crise atual? Te prometo que udo será esclarecido. Sejam bem-vindos ao Olá Ciência!

Para Nicolai Kondratieff, os ciclos econômicos podiam ser entendidos como estações do ano.

A gente tem a primavera, marcada por períodos de crescimento moderado e aumento do consumo, seguido de um forte período de euforia, que é o verão, com crescimento econômico muito forte e aumento da inflação. Logo depois vem um período de desaceleração do crescimento e diminuição da inflação, o outono e em seguida os fortes períodos de crise, com crescimento negativo ou estagnado e inflação muito baixa ou até negativa, que foi chamado de inverno. Esses ciclos se repetiam indefinidamente a cada 50 ou 60 anos, o que foi chamado de Ondas de Kondratiev.

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O legal do trabalho dele é que nas crises ele identificou fortes investimentos em novas tecnologias que passaram a ser predominantes e que moldaram os paradigmas tecnológicos de cada uma das épocas.Ele analisou duas ondas, no período de 1780 a 1830 e de 1830 a 1880. Na primeira, que vem de uma forte influência da revolução industrial as máquinas a vapor predominaram, houve um crescimento econômico absurdo devido ao aumento massivo na produção e mudanças nas relações de trabalho, que passavam de um sistema essencialmente feudal para um sistema capitalista.

Na segunda onda, que se inicia mais ou menos em 1830, você tem as ferrovias como o novo paradigma tecnológico, que fizeram uma revolução logística, com a produção podendo ser escoada rapidamente, direto das fábricas para vários lugares da Europa. O uso amplo do aço, que também foi muito forte nessa época, provocou uma revolução nos materiais de meios de transporte e construção civil, permitindo com que a humanidade alcançasse estruturas e máquinas cada vez mais resistentes e eficientes.

Apesar das fortes críticas ao trabalho de Kondratieff que outros economistas fizeram ao longo da história, críticas essas que deixam claro que o modelo dele é muito limitado para explicar o crescimento e declínio de vários setores da economia, ainda assim, o objetivo aqui é a gente ter a visão geral de que esse ciclos econômicos longos existem e são disparados pelo surgimento e adoção de tecnologias inovadoras que passam a moldar os paradigmas da época, alterando o modo de vida da sociedade, mas que apesar de sua prosperidade, sempre acabam em períodos de inverno, com um crash econômico e crise.

Vamos pegar esse gráfico que mostra o rendimento dos 10 anos anteriores do S&P500, o principal índice da bolsa de valores americana desde 1814 até 2009:

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Vemos que sempre após períodos de boom de tecnologias inovadoras que estimulam um crescimento brutal da economia, seguem fortes crises, como foi o pânico de 1837, depois do boom da máquina a vapor, a longa depressão de 1873, terminando o ciclo das ferrovias, o boom tecnológico promovido pela criação da energia elétrica e a revolução química que moldou os rumos da Alemanha nas décadas seguintes, seguida do grande crash da bolsa de 1929, que afetou o mundo inteiro e assim por diante. Vemos o período pós segunda guerra, com o crescimento da indústria petroquímica, da automobilística e também da aeroespacial e eletrônica que não estão representadas aqui, seguidas dos grandes choques do petróleo na década de 70 e finalmente, a 5ª onda de Kondratiev, marcada pelo boom da informática, das comunicações, com o surgimento dos computadores, da internet, do GPS e de muitas tecnologias que nós usamos em nossos celulares hoje. Também não está representada nesse gráfico, o crescimento da biotecnologia, da robótica e da inteligência artificial que já na década de 80 começavam a dar sinais de que poderiam fazer parte de uma quarta revolução industrial, que hoje nós conhecemos como indústria 4.0. Mas atenção a um detalhe. Nesse gráfico a gente nota que os autores representam o crash de 2008 da crise do subprime nos Estados Unidos como o fim do ciclo, com apenas 40 anos, sendo que todos os outros ciclos duraram entre 50 e 60 anos. Será que a crise de 2008 realmente era o inverno de Kondratieff? Será que as ideias de Kondratieff têm alguma relevância pra explicar os ciclos econômicos, apesar das críticas?

Se a gente voltar no gráfico anterior:

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Seguindo a lógica de Kondratieff, era pro ciclo atual acabar só em 2030, então a crise de 2008 poderia ser entendida como o início de uma queda no crescimento econômico, o que não foi visto nos anos que se seguiram tanto que o próprio índice da bolsa americana teve um crescimento muito expressivo de 2010 até 2019, indo contra os ciclos esperados de mercado.

Mas aí vem 2020 e a crise atual do coronavírus. Devido às suas características únicas e por não se tratar de uma crise do sistema financeiro, mas sim originada de um problema de saúde pública que vai paralisar a economia por meses, alguns economistas preveem que os impactos dela possam ser até maiores que o da crise de 1929. Mas de qualquer forma, agora é bem provável que se nós considerarmos que Kondratieff estava certo, apesar de todas as críticas ao modelo dele, nós estamos entrando em uma fase de inverno.

E isso pode parecer assustador, mas todos os estudos de mercado anteriores mostram que nós nos recuperamos de todas as crises anteriores e pudemos prosperar novamente. Mesmo que essa seja uma crise nunca antes vista na história da humanidade, tem uma coisa que me faz acreditar fielmente que nós vamos nos recuperar. E isso, eu venho estudando já há dois anos no mestrado que é a inovação tecnológica.

Um economista austríaco chamado Joseph Schumpeter, por volta de 1930, se debruçou sobre os estudos de Kondratieff e adicionou a inovação tecnológica na hipótese dos ciclos longos. Schumpeter percebeu que o que fazia a economia se levantar todas as vezes após um árduo inverno de crise eram inovações tecnológicas radicais, que colocavam as empresas que as desenvolviam em um novo patamar. Isso estabelecia aquele novo paradigma, criava novos mercados. A essência do capitalismo é gerar lucro e Schumpeter acreditava que a inovação tecnológica era o fator capaz de oferecer uma vantagem competitiva tão grande às empresas que elas destruíam o modelo de pensar anterior e despontavam, em um processo que ele chamou de destruição criativa. Essas empresas não inovavam porque o mundo estava em crise, mas era o mundo em crise que, de repente, começava a enxergar valor em tecnologias inovadoras e abandonava completamente os conceitos de outras tecnologias que rapidamente se tornavam ultrapassadas. É parecido com o processo de seleção natural de Darwin que após a natureza impor uma mudança no ecossistema, os seres vivos mais adaptados a esse novo modelo de vida sobrevivem e prosperam. Na economia, Schumpeter enxergava os indivíduos inovadores inseridos em empresas como agentes ativos do ecossistema, promovendo inovação muito antes dela ser necessária, o que fazia essas empresas às vezes terem que gastar muita grana no início porque ninguém adotava a inovação que eles criavam, mas quando a pressão vinha, essas empresas surgiam, na verdade elas já estavam ali o tempo todo, mas a sociedade só começava a se dar conta da existência delas exatamente em momentos de crise. Em seguida, cada vez mais a criatividade capitalista ia diminuindo, empresas competidoras copiavam e incrementavam as tecnologias que não eram mais tão radicalmente inovadoras assim e o mundo entrava novamente em um período de esgotamento da inovação, para então, alguns anos depois afundar novamente em crise.

Por que eu estou falando isso? Eu acredito que estamos exatamente em um inverno de Kondratieff. E há uma grande oportunidade para as empresas se despontarem por meio da inovação agora. Aquelas que já estão acostumadas a se adaptar rapidamente, a inovarem e a aceitarem essa nova pressão imposta pelo ecossistema terão mais chances de prosperar. Por isso que eu brigo tanto por mais investimento em inovação, em ciência e tecnologia. Por isso que dou tanto valor às ideias que surgem nos locais onde eu trabalho e das pessoas que estão à minha volta. Porque pode ser que uma dessas ideias seja justamente a solução pra próxima crise.

Esse novo conceito de sociedade que está surgindo é um conceito de sensação de segurança, pessoal. As pessoas querem se sentir seguras e não é a toa que qualquer tecnologia que venha a promover essa sensação de segurança nas pessoas vai despontar nesse momento e pode ser a responsável pela nova revolução tecnológica. Eu to vendo recentemente a expansão de empresas de meio de pagamentos remotos na Itália, como a Satispay, porque lá o pessoal tá enclausurado em lockdown, vimos a Google investindo grana pesada para implementar uma tecnologia de entregas via drone que é conhecido como Projeto Wing. A própria Amazon também tá crescendo muito com as entregas de produtos via drone nos Estados Unidos. Nós estamos vendo uma corrida do mundo para produzir respiradores, vacinas e remédios o que pode representar uma nova revolução em biotecnologia e também em impressão 3D. Aplicativos de reunião online como o Zoom, Google Meet e Skype bombando. Aplicativos de entrega de comida crescendo absurdamente… as empresas, pessoal, já estão migrando para esse novo paradigma, E até as empresas que aparentemente ficariam completamente paralisadas com esse cenário, como as do setor aéreo já começam a mudar o conceito de levar as pessoas de um lugar pro outro, para levar as pessoas de um lugar pro outro da forma mais segura possível. Exemplo disso é a Emirates, que afirmou que vai fazer testes rápidos em todos os passageiros sem custo adicional antes deles embarcarem, e só embarca quem der negativo, ou seja, diminuem o risco de contágio dentro do avião e geram sensação de segurança nos passageiros, o que é uma grande vantagem competitiva, afinal você prefere pagar um pouco mais e ter certeza de que não pegar o vírus da pessoa do lado ou você prefere correr o risco?

As empresas estão reposicionando o seu modelo de negócio, empresas controladoras de pragas estão alterando o seu modelo para atender a um novo mercado que está surgindo, que é o mercado de desinfecção e até restaurantes podem inovar nesse momento, implementando não só o delivery, mas, por exemplo migrando para um modelo que vai melhorar a saúde das pessoas, por meio de entregas semanais de marmitas fitness para a galera que quer se manter saudável nesse momento e não tem tempo de cozinhar algo mais sofisticado porque tá trabalhando de casa. 

É tempo de inovação. Temos um novo paradigma e a sua empresa precisa começar a pensar em como ela vai gerar a sensação de segurança perante essa nova economia. Se você não está pensando nisso ainda, gestor, comece agora! Porque conforme eu apresentei no último vídeo, é muito provável que essa situação de isolamento se mantenha por muito tempo e mesmo que a gente faça liberações seriadas da economia, a gente vai querer se sentir seguro. Talvez esse seja o nosso novo modo de vida e a gente precisa prosperar. A gente não pode ficar esperando uma solução milagrosa vinda do governo ou uma vacina ou remédio que cura tudo… Nós precisamos nos mover e a inovação é uma ótima solução pra isso.

Será que a sua empresa ou o seu setor de atividade vai ser um dos que vai prosperar ou vai ser um que dos que será destruído pelas inovações radicais que vão surgir? Pense nisso.

Um grande abraço e até a próxima!


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